quinta-feira, 24 de julho de 2008

Batman: O Cavaleiro das Trevas


Santa unanimidade, Batman! E não é que esse seu novo filme é a maravilha que estavam falando? Isso e muito mais, no meu conceito.

Mais do que um filme sobre mocinhos e vilões, heróis e bandidos, o filme é sobre humanidade. Sobre o ser humano que há dentro de nós, e sobre o potencial que há nesse ser humano escondido.

O Batman não é um herói. Não é um galã. Não é um bandido, no entanto. O Batman é aquele ser humano que se segura na beira do precipício entre algo bom e a sua própria desgraça. Ele precisa encontrar seu caminho de volta para a luz antes de encontrar as trevas. E o Batman de Christian Bale se mostra como esse ser humano destruído, corrompido e tentado que Robert Kane criou.

E tem o Coringa. Ah, o Coringa. Heath Ledger nasceu para esse papel. A voz anasalada, as piadinhas cínicas, os truques toscos e o desejo iminente de destruição fazem de Ledger o Coringa que Jack Nicholson deveria ter sido. O Coringa-Ledger é um anarquista, um insano, que não tem motivação alguma a não ser a desgraça alheia, nem que isso signifique a sua própria. Pobres de nós, fãs, que perdemos não só um mero artista, mas um símbolo da perseverança...

Ledger não conseguiu o papel que seria mais promissor em sua carreira, o de Max em Roswell (que aliás seria par romântico de Tess, interpretada por Emilie de Ravin, a Claire de Lost - coincidência?), mas se mostrou bem capaz em algumas comédias românticas - gênero do qual fugiu para não ficar marcado pela imagem de galã - e finalmente ganhou a talvez (des)confiança do público ao interpretar Ennis Del Mar em Brokeback Mountain. Mas o loiro nasceu para reinventar as atuações dos anos 2000 com o seu "Why so serious?"

Mais interessante ainda é a transformação de Harvey Dent (o sempre interessante e caricato Aaron Eckhart, de Obrigado por Fumar) em Duas-Caras: um homem íntegro, correto e dentro da lei, que faz de tudo para proteger e organizar sua cidade sem sair da linha, vê-se transformando em tudo aquilo que abomina, após a morte trágica de sua namorada Rachel Dawes - aqui interpretada com grande significância por Maggie Gylenhaal, que apesar de não ter o carisma de Heath Ledger, substituiu muito bem a inexpressiva e chata Katie Holmes.

Com poucas, modestas e insanas cenas de ação, O Cavaleiro das Trevas poderia concorrer a muitos (e bem merecidos) Oscars, mas sabe-se lá se a Academia deixa de lado o orgulho e o preconceito, como fez com Juno...
NOTA DO FILME: 9,8

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